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A escritora Debora Cahn comenta o episódio final

Como muitos sabem, após o episódio ir ao ar, os escritores comentam sobre os mesmos em um blog oficial da ABC. Hoje resolvi traduzir, não só pelo bom episódio que assisti, mas pelo leque de oportunidades de grandes histórias que foi aberto. Senti desejo de ver uma 8ª temporada, desejo que eu não imaginava que poderia ser tão grande. Então, com vocês, a responsável pelo final da 7ª temporada, Debora Cahn:

Este é o final. O FINAL. Shonda me pediu para escrever o final! Quão legal isso é? Não é.

Ano passado ela mesma escreveu o final. Tirou uma metralhadora do seu arsenal mental e acertou metade do elenco. Derek, Alex e um grupo de pessoas cujos nomes nem me lembro mais. Por quê? Estão mortos. Ela os matou. Há alguns anos ela me pediu para escrever o final de Private Practice e eu disse não. Então ela disse: “você começa matando um personagem” e respondi “estou dentro”. No ano anterior escrevi o final de Grey’s. Moleza. Por quê? George foi atropelado por um ônibus e Izzie estava quase morrendo deitada na maca com as vozes de fundo. Nada mais fácil para um escritor que matar os membros do elenco. É dramático, emocional, é como um pirulito… Um martini que não dá ressaca… Um dia ensolarado que não lhe dá câncer de pele por causa da magia. Mas você sabe o que não se poder fazer após seu chefe matar várias pessoas no final? Matar mais alguém. Você não pode fazer nada após um assassinato em massa. Não tem jeito. Então decidimos não fazer. Nada de inundações, incêndio, surto de varíola. Lexie não fica presa em um poço para salvar gêmeos xifópagos. Nenhum paciente queimou após ir com a asa-delta para uns cabos de energia, nada de transplantes de órgãos simultâneos, nenhuma cirurgia. Você perceberá que não foi para uma S.O. nesse episódio. Nenhuma conversa significativa usando uma máscara cirúrgica. Nenhuma emergência. Ninguém disse “carregar em 200” e gritou “afaste-se”.

Então o que nos restou após tirar toda essa carnificina e morte dos nossos entes queridos? Devastação emocional. Desculpe. Foi tudo o que restou.

Sério, é um desafio interessante quando você começa a escrever uma série centrada na vida de jovens solteiros e, logo em seguida, os relacionamentos. Alguns desses conseguiram resistir ao tempo e acabaram em uma igreja ou um post-it. Mas de repente você tem um programa sobre pessoas casadas. Como isso aconteceu? Todos estavam tendo bons momentos. E agora isso. Meredith e Cristina, principalmente. Casadas. Nossas meninas cresceram. Mas é claro que não! Como alguns já aprenderam, só porque você é casada, amigável e o garçom no restaurante lhe chama de “senhora” (que porra é essa?) não significa que já sabe como ser uma parceira. Há uma vertigem terrível que se ajusta quando as mulheres que foram criadas para serem fortes, independentes e decisivas, aprenderem que não devem tomar suas decisões sozinhas. Elas deveriam consultar alguém. Ouvir a opinião alheia. Avaliar. E às vezes ceder. É um pesadelo. Fomos criadas para fazer o oposto. Gerações passadas lutaram com dentes e unhas para que pudéssemos tomar nossas próprias decisões. E nós ainda devemos consultar alguém? Que diabos é isso? E então Cristina toma uma grande e terrível decisão sozinha. A decisão em si é um problema, obviamente, mas não era o nosso foco, porque todos já sabem como funciona. Nosso foco era como ela tomou a decisão e onde Owen estava nisso. O que nos diz sobre o casamento. Seu parceiro, sua capacidade de incluir alguém em sua vida neste momento mais devastador. E naquele momento, ela não podia. Tudo que faz a Cristina ser uma grande cirurgiã, a faz uma terrível parceira. E isso é uma merda.

Meredith. Cor de cabelo diferente, mas mesma história. Ela tomou uma decisão unilateral. Escolheu por algo que Derek nunca teria entendido. Ele vê o mundo em preto e branco e ela… Bem, com esse sobrenome e tudo mais, ela tomou uma decisão, sozinha. E quando tudo retornou, ela ainda acreditava que podia guardar as informações e conter os danos, por isso não lhe disse nada. Dessa forma Derek desaparece em um momento extremamente inconveniente. São todos os seus piores medos. Ela ter um bebê e pensar que nunca será capaz de ser mãe. Está sozinha, mas foi isso que ela mesma plantou.

Nossas mães trabalharam duro. Foram difíceis. Foram transparentes. Parecia uma boa ideia na época. Elas nos ensinaram a ser fortes e independentes. Nos ensinaram a ser sozinhas.

Eu ia terminar por aqui, mas isso é tão triste, não posso deixar assim. Não morreremos sozinhos. 8ª temporada spoiler: não morreremos sozinhos. Mas eles lutam, como todos nós lutamos. É um novo conjunto de problemas.

Ainda deprimente… Me desculpe. Tenha um ótimo verão!

Fonte: greyswriters

10 thoughts on “A escritora Debora Cahn comenta o episódio final

  1. "O que você achou do último episódio da 7ª temporada?"

    Que porcentagem é esta da equete? Acho que tá dando uns 200%.

    E aposto que esta enquete foi criada pela MI, olhem as perguntas sutilmente provocadoras:
    "Detestei, cadê Calzona nessa história?
    Brigas MerDer? Me Poupa. Odiei.
    Focado em Mer, Cris e Alex? Perfeito!"

    kkkkkkkkkkk, MI vc não existe.

  2. olhem as perguntas sutilmente provocadoras
    Eu simplesmente abri o post de comentários e copiei partes das falas ditas lá, pelos leitores do blog. Então se ficou provocativo, foi causado por vocês mesmo.

    E também geralmente peço as outras meninas do blog para falarem uma frase, dessa vez só exclui a da Damnit, porque ela simplesmente respondeu: "foi uma merda." Achei pesado para um enquete! hahahahaha

    Agora, os 200% não sei. É tudo automático do blogger.
    Mas talvez por poder selecionar várias opções, dê esse biziu.

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